Sexta-feira, 25.10.13

Vale a pena ler

Poucas vezes posso afirmar que subscrevo na totalidade um texto tão longo e tão fundamentado como este.

 

Vale bem a pena gastar dez minutos a lê-lo. 

publicado por BM. às 09:27 | link do post | comentar | partilhar
Sexta-feira, 18.10.13

Falta de noção

Eis que nos deparamos, por fim, com o momento fulcral do nosso programa de ajuda estrangeira. Conhecido o orçamento para 2014, as suas metas e as suas medidas eis que as esperanças de este ser o último orçamento sob controlo internacional se dissipam. E por incrível que pareça a culpa não é do Governo, o que por si só demonstra bem a situação que estamos a atravessar.

 

Perante uma mais que obrigatória necessidade de rever em baixa a despesa ao fim de tempo a mais, deparamo-nos com a mais que provável inconstitucionalidade de algumas medidas. Mais do que discutir a inutilidade desse documento chamado Constituição redigido no pós-período revolucionário, importa perceber o que está aqui em jogo: é que por mais que se insista no contrário, a dívida é mesmo para pagar. A diferença é que temos dois caminhos para o fazer: o menos difícil e o mais difícil. Uma grande maioria da população portuguesa está convencida que a segunda opção é a melhor, o que não deixa de ser incrível, diga-se. 

 

Pois bem, perante a altíssima probabilidade de o Tribunal Constitucional, com os seus pareceres altamente duvidosos fruto de interpretações políticas do texto redigido em 1976, reduzir a margem de manobra deste Governo, a hipótese mais provável é que este mesmo se demita perante a impossibilidade de medidas alternativas para compensar o que tais decisões implicariam. Ou seja, para além de ficarmos sem um Orçamento de Estado digno desse nome e sem Governo, obviamente teríamos de pedir um segundo resgate. Aí não se discutirá nada, não se pedirão desculpas por cortes a pensões acima de 600€. Aí sofrerão todos. E sofrerão bem mais do que agora. Daí que não pagar agora implica uma factura ainda mais dura daqui a uns meses, é esta ideia que falta a muita gente, a noção da verdadeira dimensão problema.

 

Mesmo considerando contudo que o problema será mesmo da Constituição e não da interpretação que dela fazem, esta é uma situação emergente. É uma situação em que o país se encontra à beira da queda definitiva após anos e anos na corda bamba. Pois bem, se assistimos hoje em dia a uma total descredibilização do sistema democrático por parte da população (a mesma que o legitima dirigindo-se às urnas), culpando unicamente os governantes pelos destinos do país, não seria de todo mal pensado abdicar totalmente da soberania (já o fizemos em parte) e suspender de uma vez por todas durante um período reduzido de tempo a Constituição de modo a poder salvarmo-nos do abismo, mesmo que isso vá contra a vontade da maioria. Maioria esta que no caso de Portugal falir definitivamente seria a primeira a arrepender-se do caminho escolhido. Daí que ninguém mereça pagar por viver num país onde a maioria desconhece ou prefere ignorar a realidade e as consequências para a sua vida dessa realidade.

 

Toda esta situação é bem elucidativa do ponto a que chegámos: estamos dependentes de um conjunto de juízes que não foram eleitos por sufrágio universal e que, mediante medidas em que acusam um evidente conflito de interesses, arriscam Portugal a seguir o caminho da Grécia. Para além de toda a gravidade da situação, o suspender da Constituição num país verdadeiramente sério poderia servir para rever a mesma e quem sabe reescrevê-la desde o princípio de modo a que a mesma, pelo menos, conseguisse não impedir o país de progredir. 

publicado por BM. às 20:53 | link do post | comentar | partilhar
Domingo, 06.10.13

Lord Acton

       Em todos os tempos sempre foram raros os verdadeiros amigos da liberdade, e os triunfos desta se deveram a minorias que prevaleceram associando-se a grupos cujos objetivos frequentemente diferiam dos seus; e essa associação, que é sempre perigosa, algumas vezes se revelou desastrosa, ao propiciar aos adversários justos motivos de oposição.

 

publicado por BM. às 16:33 | link do post | comentar | partilhar
Sábado, 05.10.13

Resumo da crise portuguesa

 

Nenhum outro dado, estatística ou gráficoresume tão bem aquilo que é a crise portuguesa, mesmo contando com toda a hipocrisia/desconhecimento perante os nossos concidadãos europeus e as suas acções, nomeadamente quando optamos por culpá-los pelos nossos erros quando o nosso problema está e sempre esteve aqui.

 

Durante bastante tempo conseguimos dinheiro emprestado ao nível de um país como a Alemanha. Algo incrível tendo em conta aquilo que se vê hoje, mas foi assim durante imenso tempo. Esta oportunidade foi-nos oferecida por aquela organização de quem agora tanto desdenhamos chamada União Europeia que nos permitiu ter a credibilidade que agora tanto gostaríamos de ter.

 

Obviamente que não o soubémos aproveitar. Esta época, apesar de termos efectivamente aproveitado para nos endividar, correspondeu ao período de menor crescimento efectivo com efeitos graves em termos de capacidade produtiva. No fundo, podemos olhar para Portugal como alguém a quem saíu a lotaria e, perante o dinheiro caído do céu, chega ao fim de um período de 20 anos sem um único cêntimo, mas com dívidas, uns quantos plasmas, carros e casas. Pior do que isso, apercebe-se que não tem emprego e que não poderá continuar a viver com o mesmo estilo de vida.

 

No fundo, de modo muito simplista, é isto. Poderíamos ter dado o salto para o grupo dos ricos, ao invés disso adquirimos apenas os seus hábitos esquecendo-nos de que para ter riqueza é preciso primeiro criá-la.

publicado por BM. às 00:05 | link do post | comentar | partilhar

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